SNEW Travel | Islay, a rainha das Hébridas, terra dos whiskys defumados – 2ª Rota do Whisky – Parte I
2084
single,single-post,postid-2084,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,,wpb-js-composer js-comp-ver-4.2.3,vc_responsive
83

06 out Islay, a rainha das Hébridas, terra dos whiskys defumados – 2ª Rota do Whisky – Parte I

É preciso ter um bom motivo para enfrentar mais de 30 horas de viagem, mudança de fuso horário, “Jet-lag”, estrada, travessia de balsa para chegar a uma pequena ilha de apenas 3000 habitantes, a mais meridional das hébridas escocesas. E acreditem, nós tínhamos um ótimo motivo: no último dia 24/09 partimos do Brasil em um grupo de 15 pessoas para percorrer nossa 2ª Rota do Whisky, desta vez com destino à Islay, famosa por seus whiskies defumados e salinos.

O trajeto realmente não é moleza, mas valeu a pena para conhecer a terra das cultuadas destilarias Ardbeg, Laphroaig, Lagavulin, Bowmore, Bruichladdich, Bunnahabhain, Kilchoman e Caol Ila. Após desembarcar em Glasgow e conhecer nosso simpático guia Richard (um escocês típico, ruivo, pele vermelha e vestido com o tradicional Kilt), percorremos pouco mais de 150 quilômetros a bordo de uma van até chegar à cidade portuária de Oban, capital dos frutos do mar da Escócia e sede da destilaria homônima (uma das mais antigas do país, em funcionamento desde 1794).

21765064_10155795139815742_1557106841667680250_n

Nosso grupo em frente à destilaria Oban

Lá pudemos ter um primeiro gostinho do que nos aguardava nos próximos dias: visitamos o “backstage” da destilaria, conhecendo todo o processo de produção, desde a fermentação, destilação até o processo de envelhecimento da bebida nos barris. E, é claro, provar algumas amostras!

Depois deste pit-stop, era hora de seguir viagem pois teríamos um longo caminho a percorrer até chegar à cidade de Kennacraig, de onde parte o ferry-boat que leva à ilha de Islay. A neblina tomou conta da paisagem com o cair da noite, e a travessia de cerca de 2 horas foi em meio a um intenso e cinematográfico “fog”. Chegamos ao vilarejo de Bowmore, o mais central da ilha, já com céu completamente negro. Era hora de finalmente descansar, pois no dia seguinte tínhamos um programa recheado de visitações.

IMG_20170925_133818528

Ferry boat chegando ao porto de Kennacraig em meio a intenso fog

Islay tem como suas principais atividades econômicas a pesca, a agricultura, a criação de ovinos, a indústria de whisky e o turismo (movimentado principalmente pelos entusiastas da bebida) e isso pode ser notado através de seu cenário: pequenos barcos pesqueiros pontuam todo o litoral de areia escura, pedregoso e cheio de algas; pra onde quer que se olhe, as ovelhas de rosto negro aparam o pasto; blocos de turfa recém escavados do solo e rolos gigantes de cevada sendo colhida margeiam as estradas de pista simples;  e as casinhas brancas de telhado sem beiral dão o tom das lânguidas paisagens da ilha.

_MG_5213 _MG_5293

_MG_5307

Nosso primeiro contato com as destilarias da ilha não poderia ter sido melhor: tivemos a warehouse (galpão onde ficam estocados os barris de whisky para envelhecimento) da destilaria Bruichladdich toda para nós por mais de uma hora, durante a qual pudemos tirar fotos e nos perder entre os corredores enquanto degustávamos 3 whiskies mais do que especiais: diretamente do barril, as amostras eram raridades que nunca, jamais serão engarrafadas, sendo que uma delas descansava na madeira desde 1989! Uma experiência fantástica!

22007642_10155797744310742_8850663530227747285_n

22045600_10155797782185742_3683264832354821544_n

Nosso grupo na Warehouse da Bruichladdich, provando algumas exclusividades

Ao término de nosso tour, tivemos ainda uma experiência VIP, graças aos contatos e bom relacionamento de nosso especialista César Adames: fomos convidados a provar dois dos whiskies mais caros da destilaria, o Bruichladdich Black Art e também o Sherry Cask 25 anos. Cá entre nós, é muito bom ter tratamento especial…

Depois desse inicio fora de série, visitamos ainda no mesmo dia a destilaria Kilchoman (a mais nova e com menor produção de toda ilha), onde pudemos ver de perto alguns processos até então inéditos: conferimos o malting floor, no qual os grãos de cevada são colocados para germinar (também conhecido como processo de maltagem); vimos o processo de secagem do malte com o uso da turfa (ou peat, em inglês), que confere o característico sabor defumado aos whiskies daquela região; e por fim, pudemos presenciar até mesmo o processo de engarrafamento, algo raramente visto já que nem toda destilaria engarrafa seus próprios whiskies.

_MG_5422

Secagem dos grãos com uso da turfa na Kilchoman

Pausa para o momento enciclopédia: a turfa (ou peat) nada mais é do que o solo e vegetação decompostas, que são escavados do chão da ilha e moldados em formato de tijolos. Esses tijolos são queimados, e a fumaça resultante é utilizada para secar os grãos de cevada, que foram encharcados com água para iniciar o processo de germinação. Os grãos de cevada germinados são o que conhecemos pelo nome de malte.

Para terminar o dia, fomos até o extremo norte da Ilha, de onde se podia avistar a ilha vizinha de Jura (onde, acreditem, também se produz whisky), para visitar a destilaria Bunnahabhain. Assim como boa parte das outras destilarias de Islay, a Bunnahabhain fica muito próxima à costa, de forma que a salinidade proveniente do mar cumpre papel importante no sabor final da bebida: ela penetra lentamente nos barris ao longo dos anos, fazendo com que o whisky se torne levemente salgado. 

Os whiskies de Islay são diferentes de tudo que se possa ter experimentado previamente, os sabores são muito poderosos e peculiares, no estilo “ame ou odeie”. Falando de maneira simplificada, o uso da turfa traz sabores de fumaça e bacon, e a junção com a salinidade pode trazer notas medicinais.

21768011_10155797973225742_145228628944717361_n

Barris expostos ao tempo em frente à Bunnahabhain

No dia seguinte rumamos ao sul da Ilha e, após avistarmos centenas de ovelhas (cuja população supera a de humanos em Islay), chegamos ao deslumbrante cenário onde se localiza a destilaria Ardbeg: encravada sobre a costa rochosa, em um dia de muito vento, sentir a brisa marinha no rosto logo pela manhã era tudo de que precisávamos para entrar no clima e degustar bons whiskies. Após um tour pelas instalações, guiado pelo bem humorado Ron (que ao nos ouvir relatar que nem todos do grupo falavam inglês, prontamente respondeu: “Eu também não. Falo escocês!”, deixando clara a animosidade para com as Terras da Rainha), provamos 5 expressões da marca. Desnecessário dizer que o almoço no excelente café da destilaria foi muito “alegre”.

_MG_5360

Nosso guia Richard em frente à Ardbeg, impossível ficar mais escocês do que isso!

22050031_10155799072895742_2497279860793269793_n

Na sequência, fomos à Lagavulin, onde tivemos uma experiência sensorial mais tranquila, boa para dar uma quebrada no ritmo: recebemos um kit de essências e 5 miniaturas de whisky, os quais pudemos provar enquanto aguçávamos os nossos sentidos, instigados pelos aromas disponíveis em nossa caixinha; E também à Laphroaig, uma das mais queridas pelo público, tendo sido condecorada pelo Príncipe Charles com o selo de Royal Warrant, e com uma excelente loja para compra de souveniers. 

22008051_10155800322100742_1681609141437294082_n

Kit sensorial da Lagavulin em comemoração ao bicentenário da marca

Saímos embaixo de uma chuva grossa, mas que não nos impediu de sair um pouco da rota e visitar a Kildalton Cross, uma cruz Celta que data da segunda metade do século VIII. A chuva, tão constante no dia a dia escocês, é encarada com muita naturalidade e até com alegria pela população local:  “A chuva de hoje é o Whisky de amanhã”, e “No rain, no Whisky” são alguns dos ditados populares entoados pelos nativos.

IMG_20170927_133406906_HDR

Visita à Kildalton Cross embaixo de chuva

Na manhã do dia seguinte visitamos ainda a destilaria Bowmore, outra no hall das mais antigas de toda a Escócia ainda em funcionamento (desde 1779) antes de nos despedirmos das pitorescas paisagens da Ilha e seguir viagem de volta rumo ao continente. Fizemos o caminho inverso e chegamos no início da noite em Glasgow, aonde pernoitamos para no dia seguinte tomar o voo que nos levaria a Londres para a segunda parte de nossa viagem!

22050279_10155803215590742_7484108447249398053_n

Curtindo a travessia de balsa bem abastecidos

-

Clique aqui e leia sobre a segunda parte da viagem!

Quer ver a galeria de fotos completa da 2ª Rota do Whisky? Clique aqui!